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Bom, gente, negócio é o seguinte. Eu sou uma viciadinha em reality shows, não me perguntem por quê. Sou um pouco voyeur, eu e metade do planeta. E aí, não contente em assistir somente na hora do programa, eu ainda sou daquelas que paga pay-per-view do BBB e que assiste A Fazenda no computador, enquanto trabalha durante o dia.

E hoje tava lá o ao vivo ligado, eu trabalhando, quando, de repente, ouço a Simone (profissão: ex assistente de palco do Raul Gil) falando algo como “Eu acho gatinho bonitinho, mas bem longe, principalmente se for pretinho”. E aí começou com aquele papo que gato é egoísta, que gato se apega somente à casa, que gato não é companheiro etc. etc. etc. E aí também aquela ode ao cão: que cachorro é companheiro, que cachorro sente o que você tem, que cachorro te ajuda, que cachorro abana o rabo, que cachorro bla bla bla.

Primeiro: eu não tenho nada contra cachorro, eu adoro cachorro, eu não tenho cachorro porque tenho dois gatos e moro em apartamento, eu já convivi com cachorros, eu acho cachorro tudo de bom, cachorro é legal ponto. Segundo: Tenho, sim, preferência por gato, e isso é uma coisa óbvia. Só pra ficar claro que eu não sou que nem esses defensores de cachorros que querem comparar cachorro gato enaltecendo um em detrimento do outro.

Mas eu fico brava puta irritada com esse povo que fala que gato é egoísta e bla bla bla. Pode não gostar de gato ou não querer conhecer gato ou não querer conviver ou ter medo por não saber lidar com um gato? Pode. Mas não pode falar do que não conhece, isso não pode.

Porque, me digam: esses pequenos seres dormirem grudados em você todas as noites é sinal de desapego? A pessoa trabalhar em casa e ter companhia de um frajolícia todos os dias em sua bancada de trabalho é desapego? O ronron quando você o abraça é apego à casa? E as brincadeiras no arranhador são ranzinice? E sair correndo atrás de você e depois se esconder? E esperar na porta quando você chega? E pular no box pra te acompanhar no banho? E te seguir pela casa quando você faz os afazeres domésticos? Me digam, isso é egoísmo, é indiferença, é ser traiçoeiro?

Gatos têm instinto, cachorros também. E personalidades diferentes. Não dá pra generalizar. Já vi cachorros atacarem pessoas por se sentirem ameaçados. Gatos também. Existem gatos mais sociais, mais antissociais, mais quietos, mais agitados, mais carentes. Em geral, eles são sim mais independentes, o que eu acho ótimo, mas têm seu jeito de deixar claro que se sentem amados.

Não escrevi este texto para que as pessoas pelamordedeus amem os gatos. Só escrevo pra dizer que BUSQUEM CONHECIMENTO (parafraseando ET Bilu). Ah, e nem vou comentar o fato dessa Simone, da Fazenda, ter complementado a frase com “ainda mais se for pretinho” – eu ainda espero ter ouvido errado.

tamos na nossa cama nanando na nossa casa

Quem lê este blog já sabe faz tempo do meu amor pelo Pam, ou Pâmelo, ou Mele, ou Coico ou vários outros nomes pelo qual uma mãe e um pai babões chamam suas crias. E também já estão cientes de que o Pingo, nosso novo bebê, conquistou nossos corações desde o primeiro momento em que chegou aqui em casa. Mas talvez vocês não entendam muito bem o porquê desse amor todo e é por isso que eu estou fazendo este post – mentira, é só porque eu amo muito mais do mundo e amo muito escrever sobre o meu amor por eles.

Sim, eu sou um pouco “gentofóbica”, tenho medo de gente, pé atrás, não costumo confiar, me irrito facilmente, sou matuta e cada vez mais caseira. (Tinha escrito aqui um monte de bobagens sobre porque eu sou tão “gentofóbica”, mas, enfim, deletei, porque, afinal, não vem ao caso). O fato é que eu e o marido amamos ficar em casa, fazer comidinha, assistir quinhentas mil séries, tomar vinho etc. etc. etc. E a gente sabe que os gatos são assim também, né, tirando o vinho e etc.

O Pam já tem os seus quase 13 anos – que completa em agosto – e, por isso, ele é mais paradão e dorme muuuuuuuuuito. Ele também não é lá muito simpático com as visitas, até fica junto e tal, mas não dá muita bola. E isso não porque ele é velho, mas por conta da personalidade mesmo. O Pam, quando alguém vai pra cozinha, corre que nem um morto de fome, daqueles filhos que ficam olhando os outros comendo e quase mata a mãe de vergonha, sabe? Pois é, ele é bem desse tipo, quando a gente tá comendo, a mesma coisa, ficamos até constrangidos com aqueles dois bugalhões de olho nos fitando a refeição toda.

O que mais impressiona é que o figura nem gosta da maioria das coisas que a gente come, ele só quer ter certeza que não tem nada que o interesse naquele prato, naquela panela, naquela tábua. E não sossega enquanto a gente não jogar a comida no chão e ele perceber que “blé, era isso?”.

Ele também não curte muito a ração normal. Eu sempre compro o bla bla bla whiskas sachê e mais uma comidinha meio nuggets que vem numa latinha e é só a gente encostar sem querer na embalagem dessas guloseimas que o doidão vem trotando de onde ele estiver (trotando mesmo, já que ele é manquinho de uma pata).

O Pingo, ou Pinguéculo, ou Pli, ou Melinho, ou várias outras atribuições é bem mais ativo, claro, devido aos seus 7 meses de idade. Mas ele é um ativo bem maluco, com atividades bem bizarras permeadas por uns barulhinhos tipo priiiiiiiiii, pruuuuuuuuuu, miiiiiiiiii que, tá, não é bem isso mais é mais ou menos isso. Daí o Pingo não pode ver as torneiras dos banheiros abertas que surge com um desses barulhinhos e se joga e ai se a gente não deixar ele tomar água e molhar a cabeça até criar um moicano bem molhado no topo.

Daí que ele atazana um monte a vida do Pam porque “ué, mano, por que tu fica tão cansado? Vamo brincar, vamo!”. É, ele não entende. E o Pam fica muito puto às vezes e faz aquele barulho fuuuuuuu que dá muito medo na gente, mas não no Pingo. O Pingo às vezes fica de castigo por isso, mas às vezes a gente deixa, enquanto percebemos que o Pam está se divertindo.

O Pingo também tomou conta do arranhador do Pam, ele acha que é dele e só dele, mesmo a gente explicando “Pingo, o arranhador era só do Pam, você pegou o bonde andando, filho”. Mas não, cabeça de gato não funciona assim e então ele vê o Pam no arranhador e vai lá arranhar também, tipo “Fica ligado, mano, eu até deixo tu arranhar às vezes, mas a parada é minha”.

De vez em quando, a gente pega os dois dormindo um do ladinho do outro, ou passeando pela casa um atrás do outro, tipo amiguinhos, sabe? Acho, na verdade, que o dia que o Pingo ficar mais adulto e a doidera dele passar um pouco, a convivência entre os dois vai ficar ainda melhor.

E eu e o marido ficamos aqui, morando de favor. Quer dizer, a gente paga um preço por morar aqui, a gente lava tudo pra eles, limpa as coisas deles, compra comida pra eles, dá carinho pra eles. E olha, às vezes eles deixam até a gente dormir na cama. Queridos, né?

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Arthur da Távola

Nada é mais incômodo para a arrogância humana que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias de amor. Só as saudáveis.

Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula. Gato não. Só aceita relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de traiçoeiro, egoísta, safado, espertalhão ou falso.

“Falso”, porque não aceita a nossa falsidade e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor. Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e o dá se quiser.

O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio, é esperto. O gato é zen. O gato é Tao. Conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem o ama, mas só depois de muito se certificar. Não pede amor, mas se lhe dá, então o exige.

O gato não pede amor. Nem dele depende. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês.

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa a relação sempre precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Vê além, por dentro e avesso. Relaciona-se com a essência.

Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende ao afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando esboça um gesto de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é muito verdadeiro, impulso que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe; significa um julgamento.

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós).

Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, eles se afastam. Nada dizem, não reclamam. Afastam-se. Quem não os sabe “ler” pensa que “eles não estão ali”, “saíram” ou “sei lá onde o gato se meteu”. Não é isso! É preciso compreender porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.

O gato vê mais, vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente ao nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.

Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.

O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precisa de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda a natureza, aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato.

Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração e yoga. Ensina a dormir com entrega total e diluição no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase quinze minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, ao qual ama e preserva como a um templo.

Lições de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, o escuro e a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.

Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gesto e senso de oportunidade. Lição de vida e elegância, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências ou exageros e incontinências.

O gato é um monge portátil sempre à disposição de quem o saiba perceber.

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Quem usa esses bichanos lindos pra rituais merece um Tribunal da Inquisição. Fogueira neles!

Quem usa esses bichanos lindos pra rituais merece um Tribunal da Inquisição. Fogueira neles! (Foto reproduzida do blog Iluminações - http://iluminacoes.wordpress.com/2009/06/21/cats/)

Esse post está na categoria “Uncategorized” não por acaso. Primeiro foi o abatedouro de cães descoberto ontem em São Paulo (via G1) e agora é a procura por adoção de gatos pretos e animais debilitados, também em São Paulo, perto da sexta-feira 13. A demanda crescente por esses animais perto da data fez com que a prefeitura da cidade proibisse a adoção desses bichos nessas ocasiões. É de matar gente que usa bichanos indefesos em rituais de bruxaria ou qualquer coisa parecida.  É simplesmente inconcebível, nojento, escroto, sem razão de ser. A matéria foi feita pela Drica, amiga de faculdade, para a Folha de São Paulo.

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