GATOS SORTUDOS

Na festa de fim de ano da Dialetto, empresa na qual eu trabalho, eu ganhei um cartão presente da Saraiva e resolvi me presentear com livros felinos. Comprei o “Gatos Sortudos”, da Juliana Bussab e da Susan Yamamoto; “Um gato de rua chamado Bob”, do James Bowen; e “Cleo, a história de uma gata sapeca que ajudou a curar uma família”, de Helen Brown.

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Bom, depois eu falo dos outros livros, agora vou me restringir ao “Gatos Sortudos”. Eu já queria comprar o livro há algum tempo, porque sigo a ONG Adote um Gatinho, criada pelas autoras do livro, e AMO as histórias que elas postam no Facebook. Aliás, o trabalho da ONG, que fica em São Paulo, é sensacional, resgatando gatinhos e os doando a donos responsáveis.

A LINDA HISTÓRIA DA YUMI E DO ROCK

Gente, a ong Adote um Gatinho tem uma página no facebook, que eu obviamente acompanho. E aí, ontem eu li uma história tão linda que resolvi compartilhar com vocês. Leiam e se emocionem à vontade. (O depoimento abaixo é uma cartinha da Yumi, enviada à Adote um Gatinho).

Essa é a mami Yumi e seu "gato guerreiro", o Rock
“Como voluntária do Adote Um Gatinho, ajudo a atualizar os posts do AUG no Facebook. Por isso, eu sempre acompanhei muito de perto a história do Rock. Ele havia sido resgatado em julho de 2010 de um condomínio, após uma pessoa ter pedido nossa ajuda. Ao sair para trabalhar, ela havia visto “um amontoado de crianças cutucando vorazmente algo”. Quando ela se aproximou, viu um gatinho ensaguentado, com os olhos fechados, sendo espancado pelas crianças. O Rock chegou no AUG péssimo, com o maxilar fraturado, o olho perfurado, desidratado e desnutrido. Pesava 1,2 kg.
A história e as fotos foram para o facebook, e comoveram todo mundo. As pessoas torciam muito pela recuperação daquele gatinho que havia sofrido tanto, que havia conhecido o pior do ser humano. Para felicidade dos fãs do AUG, bem lentamente, o Rock foi melhorando: conseguiu se curar de uma pneumonia que quase o levou, voltou a comer, ganhou peso. Mais tarde, a mandíbula se consolidou, o olhinho cicatrizou. O pessoal do facebook, ansioso, perguntava, “E o Rock, como está? Engordou? Sarou?”. Alguns até escreveram querendo adotá-lo. Mas aí, apareceu uma ferida na testa do bichano, que não fechava de jeito nenhum. E, com ela, a suspeita de câncer de pele, inoperável devido à localização.
Ao saber do possível diagnóstico, comprei uma baita briga com o maridão e decidi ser lar temporário pela primeira vez. Se o Rock tivesse mesmo câncer, eu não poderia permitir que ele passasse os últimos dias dele sozinho, numa gaiola do abrigo. Não seria justo, não seria certo. Depois de tanto sofrimento, ele precisava conhecer o que era ter casa, colo e cafuné, nem que fosse por apenas algumas semanas. E foi assim que no início de dezembro, o Rock chegou em casa. Pequeno-branco-magrelo-e-carente Rock.
Lembro que no Réveillon, ao fazer os meus pedidos de Ano Novo, pensei no Rock e desejei que ele não tivesse câncer. Foram longos dias de espera, até que a Dra. Bia me ligou na primeira semana do ano com o resultado da biópsia: negativo! Negativo!
A biópsia não indicava tumor maligno, mas sim, um quadro alérgico. Alergia? “Ah, mas isso a gente tira de letra”, eu pensei. “Em breve o Rock ficará bom e poderá ir para adoção!”. Quanta ingenuidade a minha! Naquela época, eu não sabia que, em se tratando da saúde do Rock, nada é tão fácil, nada é tão lógico.
Descobrimos que o Rockinho coçava compulsivamente a testa até sangrar, até abrir uma ferida. E era por isso que a ferida não fechava nunca: ele se auto-mutilava diariamente. Começamos, então, o tratamento para alergia com a dermatologista, com a administração de corticóides, para fazer o prurido passar. Mas, para a nossa surpresa, a medicação não fez qualquer efeito. Dobramos, triplicamos a dose, e nada. Rockinho continuava se auto-mutilando. Os corticóides não faziam nem cócegas no pequeno.
Ao mesmo tempo, tentávamos descobrir as possíveis causas da alergia do Rock. Excluímos a alergia à pulga e, depois de uma 3 meses de dieta de ração hipoalergênica, a hipersensibilidade alimentar. Restou, então, a dermatite atópica, também conhecida como alergia a tudo. Que é incurável.
Mas mesmo a dermatite atópica não explicava todo o quadro do Rock. E assim, ele foi encaminhado para o neurologista, que diagnosticou uma neuropatia de face. No espancamento, os nervos da face do Rock foram lesionados, e o pequeno acabou perdendo a sensibilidade do lado esquerdo do rosto. É por isso que o Rock se coça até sangrar – ele não sente dor naquela região. Ah, eu contei que a neuropatia também é incurável? Pois é.
Afinal, o que o Rock tem? Dermatite atópica? Neuropatia de face? Provavelmente, tudo isso junto, e mais alguma coisa. E ainda há o fato de ele não responder às medicações. Eu demorei para entender que eu estava diante de um gato, digamos assim, muito peculiar. Hoje, depois de 6 meses de consultas, exames e tratamentos, eu sei: o Rockinho é um mistério da ciência, e provavelmente nunca vai parar de se auto-mutilar. E agora? Quem é que vai querer adotar um gato de 6 anos, com saúde frágil e que se auto-mutila?
Eu quero. Porque o Rock dá um trabalho danado para cuidar, sim, mas também é um dos gatos mais fofos que conheci. Porque, mesmo tendo sido espancado no passado, o Rock nunca perdeu a fé nas pessoas; pelo contrário, ele ama gente, e é só ver um colinho dando sopa, que lá vai ele se acomodar. Porque todos os veterinários que o conhecem dizem que ele é o gato mais bonzinho do mundo, e eu fico toda orgulhosa do magrelo. Porque ele venceu a resistência do meu marido, e se tornou o gato preferido dele. Porque quando eu fico aborrecida por ele ter se auto-mutilado mais uma vez, ele deita no meu peito e fica olhando para mim. De modo que o pequeno não sairá mais da minha casa. A partir de agora, Rock tem pai, mãe, 3 irmãos felinos e todo o amor do mundo que pudermos lhe dar.
Podem botar o Rock como adotado, que o fofucho agora é meu!”